sábado, 30 de janeiro de 2010

Curso de Especialização Multiprofissional em Oncologia Pediátrica na Área Hospitalar e Ambulatorial

Curso de Especialização Multiprofissional em Oncologia Pediátrica na Área Hospitalar e Ambulatorial -

Informações Gerais
Ano: 2010
Nível: Especialização
Curso: Multiprofissional em Oncologia Pediatrica na Area Hospitalar e Ambulatorial
Público Alvo:
Alunos Com Nível Superior Concluído Em Cursos Reconhecidos Pelo Mec Das Áreas Do Conhecimento: Educação(Pedagogia E Diferentes Bacharelados/Licenciaturas), Fisioterapia Motora, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço Social E Terapia Ocupacional.
Coordenador: Prof. Dr Antonio Sergio Petrilli
Departamento(s) responsável(is): Pediatria
Programa Resumido:
O enfoque escolhido é aquele que articula formação inicial e continuada, teoria e prática, ensino e aprendizagem, conhecimento acadêmico e experienciado, práticas e políticas públicas voltadas ao atendimento Multiprofissional de crianças e adolescentes gravemente enfermos. Essa opção revela uma inovação, para profissionais trabalharem em seus atendimentos de forma integrada com outras equipes e não isoladamente como propõe a formação inicial de origem. de forma ampla, lida-se com o conhecimento em construção e, para tal, a abordagem do conteúdo é desenvolvida concomitantemente ao binômio teoria e prática, além de elementos da pesquisa em saúde
Número de Vagas: 17
Inscrição
Pré-Requisitos:
Formação universitária completa em cursos de bacharelado e/ou licenciatura. Ser aprovado no processo de seleção.
Valor: R$ 150,00
Período: 11/01/2010 a 22/02/2010
Documentos Exigidos:
Cópia de Currículo Lattes com cópia simples que comprove currículo acadêmico(Certificado de conclusão da graduação), pessoal(RG., CIC., Título de Eleitor, Comprovante de residência). Duas (2) cartas de apresentação da instituição de formação inicial, 2 fotos 3x4.
Processo Seletivo
Etapa(s):
PROVA TEÓRICA
Obs:
INSTITUTO DE ONCOLOGIA PEDIÁTRICA/GRAACC/UNIFESP
RUA BOTUCATU, 743 - V. CLEMENTINO - SÃO PAULO - SP
06/03/2010 às 9:00 hrs.
ENTREVISTA
Obs: Comparecer com Currículo Vitae.
INSTITUTO DE ONCOLOGIA PEDIÁTRICA-GRAACC-UNIFESP
RUA BOTUCATU , 743 - V. CLEMENTINO - SÃO PAULO- SP
07/03/2010 às 9:00 hrs.
Matrícula
Valor: R$ 70,00
Período: 15/03/2010 a 18/03/2010
Dados do Curso
Mensalidade: R$
Início e Término: 29/03/2010 a 09/02/2011
Carga Horária: 448 Práticas e 236 Teóricas
Período: Integral - segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira
Horário: 08:00 as 18:00 hrs.
Outras Informações
Bibliografia:
Sub-Áreas:
Atendimento Escolar Hospitalar
Fisioterapia Motora
Nutrição
Odontologia
Psicologia
Serviço Social
Terapia Ocupacional

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O perfil do pedagogo para atuação em espaços não-escolares

O perfil do pedagogo para atuação em espaços não-escolares1


Profa. Dra. Mary Rosane Ceroni2



RESUMO
Com as mudanças que vêm ocorrendo na sociedade contemporânea que enfatiza compromissos com a inclusão social, percebemos a direta repercussão nos processos formativos dos profissionais da educação, no caso específico, no Curso de Pedagogia do UniFMU/SP. Acompanhamos de perto o estudante de Pedagogia buscando sua formação para a atuação em ambientes não escolares, por meio da habilitação oferecida em Supervisão de Ensino nas Empresas, do Programa Educação para a Solidariedade, no Módulo Orientação Vocacional e Preparação para o Mercado de Trabalho, e através do curso de Pós Graduação Pedagogia Empresarial. No Grupo de Pesquisa Educação e Inclusão Social, na Linha Gestão Educacional e Educação Profissional, este estudo, aprovado pelo Comitê de Ética, tem por objetivo definir o perfil do Pedagogo que exerce suas atividades profissionais em espaços não escolares, o que implica: pensar nas políticas educacionais no Brasil, na responsabilidade de um comprometimento com a qualidade social voltada para a cidadania e para a inclusão; e propiciar aos pedagogos a compreensão de sua capacidade profissional e o desenvolvimento de competências em ambientes que extrapolem as unidades escolares e ainda, aumentem suas áreas de atuação, para que se tornem cada vez mais empregáveis. Apresenta-se neste estudo o perfil do pedagogo em espaços não escolares.
Palavras-chave: Pedagogia; Pedagogia Social; formação; Educação não-formal; perfil profissional.



Objetivos do Estudo
O objetivo geral deste estudo é definir o perfil do Pedagogo que exerce suas atividades profissionais em espaços não escolares.
Para melhor entendimento do objetivo geral, apresentamos os seguintes objetivos específicos: a) discutir situações educativas ao realizar pesquisas para a produção de conhecimentos teóricos e práticos; b) identificar o pedagogo que atua na área empresarial e ONGs, traçar seu perfil e comparar os resultados obtidos; c) definir, a partir da prática profissional dos Pedagogos pesquisados na primeira fase, o perfil do Pedagogo para atuar em ambientes não escolares.

Problema
Na UniFMU por meio da habilitação do curso de Pedagogia: Supervisão de Ensino nas Empresas (Treinamento e Desenvolvimento), do Projeto Educação para a Solidariedade no Módulo: Orientação Vocacional e Preparação para o Mercado de Trabalho e também através do curso de Pós Graduação: Pedagogia Empresarial, pudemos ver e acompanhar de perto o Pedagogo buscando sua formação para a atuação em ambientes não escolares.

Justificativa
Com a mudança cultural, financeira, política, tecnológica que vem ocorrendo aceleradamente nos últimos anos, pudemos perceber a interferência destas mudanças na área educacional e profissional de várias formações, no caso em específico desta pesquisa: o Pedagogo.
Podemos acompanhar diariamente profissões antigas e tradicionais sendo substituídas por novas atuações com novos requisitos em termos de conhecimentos e perfil profissional. Como profissionais da educação e professores do curso de pedagogia, sentimos a necessidade de realizar esta pesquisa com a intenção de possibilitar aos pedagogos a compreensão de sua capacidade de atuação profissional em ambientes que extrapolem as unidades escolares e aumentar suas áreas de atuação com o objetivo que se tornem cada vez mais empregáveis. Para tanto é necessário que o curso de formação forneçam elementos que façam com que estes profissionais tenham segurança e competência profissional.
Este trabalho tem a finalidade de análise e apresentação dos resultados obtidos com relação ao perfil do pedagogo que atua em espaços não escolares, realizados sob o enfoque do novo profissional exigido pela sociedade contemporânea, que deverá, sobretudo, ser capaz de integrar a dimensão teórica a uma preocupação com a prática cotidiana do fazer institucional, bem como de garantir a articulação entre as abordagens da gestão do trabalho administrativo, pedagógico e comunitário, como também, da educação profissional, desenvolvidos em espaços não escolares, evitando-se a fragmentação deste estudo.

Embasamento teórico-metodológico
Este trabalho desenvolve-se de forma a entender o perfil profissional do Pedagogo a partir da sua atuação em espaços não escolares. Utilizamos como base inicial, para o referencial teórico a revisão da literatura.
Nosso critério de seleção se fez da seguinte forma: Seleção de 50 empresas e 50 ONGs que possuem pedagogos atuando em seu quadro funcional, indicadas pelos professores envolvidos no projeto de pesquisa do UniFMU do curso de Pedagogia.
Para podermos conhecer o Pedagogo que atua em espaços não escolares, primeiramente precisamos identificá-lo. Como hoje temos uma grande variedade de opções, resolvemos por pesquisar e encontrar estes profissionais em dois segmentos que tem grandes possibilidades e que estão em crescimento e atuando como reflexo do mundo do trabalho: Empresas Privadas e Organizações Não Governamentais (ONGs) estabelecidas na grande São Paulo.
No mundo contemporâneo, com as mudanças nas relações de trabalho, as empresas também precisaram se reorganizar em relação aos cargos, funções e atividades dentro das organizações, Minarelli (1996, p. 17 e 18) assim se posiciona:
"As grandes empresas e corporações, para sobreviver à crise econômica mundial e atender às novas demandas do mercado, eliminaram ou redesenharam cargos e, em muitos casos, operações inteiras." E em relação às pessoas atuando dentro deste novo contexto profissional, o mesmo autor (1996, p.18) pondera: "Os trabalhadores precisarão reciclar-se periodicamente para manter seus conhecimentos atualizados e desenvolver outras habilidades."
O mesmo autor completa dizendo que esta mudança tem um deslocamento do foco no trabalho onde antes era enfatizado as atividades manuais e hoje, a atenção em relação aos trabalhadores está centrada no intelecto.
Estes acontecimentos são resultantes da nova relação de trabalho estabelecida no mundo moderno, onde se pode perceber a necessidade de um profissional com um perfil voltado a ajudar a organização, de qualquer segmento, a atingir os seus objetivos e metas organizacionais. Onde a atuação deste profissional está mais relacionada a seu perfil em consonância com a organização, do que a determinação de uma formação acadêmica. Isto se dá porque as necessidades do mundo do trabalho hoje estão mais voltadas a uma visão ampliada e rica do mundo e também por sabermos que alguns conteúdos específicos para a realização de uma tarefa pode ser facilmente aprendido, mas interação entre as habilidades do profissional e da instituição já é uma questão mais profunda e difícil de ser encontrada e desenvolvida.
Percebemos que o mundo do trabalho globalizado tem como tarefa repensar novas formas de relações trabalhistas que possam em alguma medida, organizar o processo de trabalho e as influências que articulam o desenho do novo mapa do mundo.
Um dos setores mais sensível, e por isto, mais desestabilizável, é o meio acadêmico, universitário, de onde provém toda a gama de profissionais lançados em um mundo já afetado, e ainda não estabilizado, em face de inexorabilidade da impactologia da maré globalizante que, atinge a todos os setores de atividade humana.
A constatação da fragmentação dos saberes traz um desafio para a educação e ensino contemporâneos: religar os conhecimentos dispersos - o que exige uma nova postura dos sujeitos diante da dinâmica dos sistemas vivos planetários. Para Morin (2001, p.10), educação e ensino são termos que se confundem e se distanciam igualmente:
A "Educação" é uma palavra forte: "Utilização de meios que permitem assegurar a formação e o desenvolvimento de um ser humano (...)". O termo "formação", com suas conotações de moldagem e conformação, tem o defeito de ignorar que a missão do didatismo é encorajar o autodidatismo, despertando, provocando, favorecendo a autonomia do espírito. O ensino, arte ou ação de transmitir os conhecimentos a um aluno, de modo que ele os compreenda e assimile, tem um sentido mais restrito, porque apenas cognitivo. A bem dizer, a palavra ensino não me basta, mas a palavra educação comporta um excesso e uma carência."
Assim, verificamos que é de responsabilidade muito especial e pertinente que a Universidade não apenas acompanhe a reboque as profundas e rápidas transformações que estão ocorrendo, sobretudo se antecipe, na formação de profissionais da educação com as qualificações e o perfil que a sociedade do século XXI exige.
Destacamos, desta maneira, que esta é uma ação desestabilizadora que atinge, em última instância, as entranhas dos currículos e programas da Universidade. A mudança das reformas dos anos 80 e 90, pouco a pouco trazem novos desafios para o curso de Pedagogia e percebemos que estas alterações legais associadas às transformações e exigências sociais fizeram com que, a atuação do Pedagogo, ultrapassasse as fronteiras das escolas e cargos executivos (diretorias, secretarias, ministério) e este profissional passa a atuar em outras instituições, até porque as transformações ocorridas no currículo da Pedagogia o capacita para tal.
Há duas décadas, nas várias organizações científicas e profissionais de educadores, tem se debatido em todo o país, questões relativas ao campo de estudo da Pedagogia, da identidade profissional do pedagogo, do sistema de formação de pedagogos, da estrutura do conhecimento pedagógico (LIBÂNEO, 1999).
Libâneo (1999, p.59) complementa:
"Todos os educadores seriamente interessados nas ciências da educação, entre elas a Pedagogia, precisam concentrar esforços em propostas de intervenção pedagógica nas várias esferas do educativo para enfrentamento dos desafios colocados pelas novas realidades do mundo contemporâneo."
Diante dos desafios atuais no campo da Educação com mudança na legislação, mudança do currículo dos cursos de Pedagogia, muitas polêmicas giram em torno desses cursos e de qual seria sua função neste momento. A Pedagogia deveria estar integrada ao ensino e a pesquisa, pois não é possível pensar num pedagogo que não saiba, ou que não possa ensinar/pesquisar.
É imprescindível adequação do currículo a ser desenvolvido com a formação do novo educador, que deverá, sobretudo, ser capaz de integrar a dimensão técnica a uma preocupação com a ética, a estética, a política e a prática cotidiana do fazer escolar (RIOS, p. 2002), ou de garantir a articulação entre as abordagens da docência e da gestão do trabalho administrativo, pedagógico e comunitário, desenvolvidos em espaços de educação formal e não formal, evitando-se assim, a fragmentação na formação deste profissional.
Desta forma, é necessário entendermos que, na docência do ensino superior, deve ser dada ênfase às ações do estudante "para que possa aprender o que se propõe; que a aprendizagem desejada engloba, além dos conhecimentos necessários, habilidades, competências e análise e desenvolvimento de valores, não há como se promover essa aprendizagem sem a participação e parceria dos próprios aprendizes" (MASETTO, 2003, p.23).
Destacamos assim, algumas importantes linhas de ação propostas por Masetto (2003):
"Trabalhar com pesquisa, projetos e novas tecnologias, [...] são caminhos interessantes que, ao mesmo tempo em que incentivam a pesquisa, facilitam o desenvolvimento da parceria e co-participação entre professor e aluno. (p.23). A mudança está na transformação do cenário do ensino, em que o professor está no foco, para um cenário de aprendizagem, em que o aprendiz (professor e aluno) ocupa o centro e em que professor e aluno se tornam parceiros e co-participantes do mesmo processo. (p.24)."
Notamos que um dos dilemas com que se defronta o ensino superior é a coexistência da pesquisa e da formação profissional. Assim, conhecimento e pesquisa se manifestam em organismo social e, como tal, a Universidade deve constituir-se em um sistema aberto.
Na Universidade, esta visão tem se manifestado na ênfase da definição de quais as habilidades e competências que se devem desenvolver com base na empregabilidade. O que significa que essas habilidades e competências estão infinitamente relacionadas com a atividade profissional, exigindo que a formação acadêmica se preocupe com o mercado de trabalho, resultando na busca de meios eficientes para a interação universidade/sociedade, com a preocupação de diagnosticar as demandas e conciliar o saber/fazer, tornando o ensino superior em laboratórios da realidade.
Esse processo de transformação provoca a necessidade mais exigente de formação das competências a serem perseguidas em um ensino de qualidade. Com isso, ampliou-se a pesquisa científica na atividade acadêmica do educador, emergindo a preocupação com a gestão educacional, entendendo a instituição de ensino como berço do empreendorismo que fomenta planejamento com propostas renovadoras, que analisam o eixo teórico-filosóficos das relações educativas, tendo em vista os contextos sócio-econômicos e políticos.
O educador percebe que mudança pedagógica é não só promover a auto-aprendizagem de seu aluno fora da sala de aula, mas também ele próprio vivenciar novas experiências e caminhar para novas descobertas de suas habilidades e competências fora da abrangência escolar. Passou a buscar, então, novas matizes pedagógicas, ampliando a dimensão pessoal e social do conceito de educador.
Por isso, quando a legislação educacional passa a exigir, na atualidade, que a universidade cumpra sua responsabilidade social, encontra um educador consciente de seu papel de agente de transformações e multiplicador de valores.
A concretização e alcance dos resultados desta ação precisam promover condições para que este profissional possa caminhar com confiança e segurança em sua trajetória profissional, conquistando a eficácia de sua formação ao desempenhar o seu real papel na sociedade (MONEZI, 2003, p.60):
"Para um projeto educativo interdisciplinar ser bem sucedido, é necessário que o professor, envolvido e comprometido com a educação e com seus pares, apresente coerência entre sua visão e sua ação, o que contribuirá eficazmente com o processo de construção e reconstrução da sociedade: porque não há projeto sem sonho e sem vontade de futuro [...]."
Consolida-se assim, a interação sujeito-objeto, ou sujeito-sujeito, cuja noção dialética é a interdependência, considerada aqui como critério fundamental para que esta relação torne possível a vida comunitária, em um contexto de ajuda mútua - apresentando nas ações a efetiva participação de programas de solidariedade.
De acordo do as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia aprovado em dezembro de 2005, em Finalidade do Curso de Pedagogia, destaca que a educação do Pedagogo deve propiciar estudos de campos do conhecimento , tais como o filosófico, o histórico, o antropológico, o ambiental-ecológico, o psicológico, o lingüístico, o sociológico, o político, o econômico, o cultural, para nortear a observação, análise, execução e avaliação do ato docente e de suas repercussões ou não em aprendizagens, bem como orientar práticas de gestão de processos educativos escolares e não escolares, além da organização, funcionamento e avaliação de sistemas e de estabelecimento de ensino.
Em relação à atuação do pedagogo em espaços não escolares, o mesmo documento ressalta que o perfil do graduado em Pedagogia deverá contemplar consistente formação teórica, diversidade de conhecimentos e de práticas, que se articulam ao longo do curso. A dimensão a seguir é assim enfatizada:
"[...] gestão educacional, entendida numa perspectiva democrática, que integre as diversas atuações e funções do trabalho pedagógico e de processos educativos escolares e não-escolares, especialmente no que se refere ao planejamento, à administração, à coordenação, ao acompanhamento, à avaliação de planos e de projetos pedagógicos, bem como análise, formulação, implementação, acompanhamento e avaliação de políticas públicas e institucionais na área de educação."
Dentro deste contexto, apresentamos o perfil traçado para o egresso do curso de Pedagogia apresentado neste documento. O egresso deverá estar apto a:
"[...] atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade justa, equânime, igualitária; trabalhar, em espaços escolares e não-escolares, na promoção da aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano, em diversos níveis e modalidades do processo educativo; identificar problemas socioculturais e educacionais com postura investigativa, integrativa e propositiva em face de realidades complexas, com vistas a contribuir para superação de exclusões sociais, étnico-raciais, econômicas, culturais, religiosas, políticas e outras; demonstrar consciência da diversidade, respeitando as diferenças de natureza ambiental-ecológica, étnico-racial, de gêneros, faixas geracionais, classes sociais, religiões, necessidades especiais, escolhas sexuais, entre outras; desenvolver trabalho em equipe, estabelecendo diálogo entre a área educacional e as demais áreas do conhecimento;participar da gestão das instituições em que atuem planejando, executando, acompanhando e avaliando projetos e programas educacionais, em ambientes escolares e não-escolares; realizar pesquisas que proporcionem conhecimentos, entre outros: sobre seus alunos e alunas e a realidade sociocultural em que estes desenvolvem suas experiências não-escolares; sobre processos de ensinar e de aprender, em diferentes meios ambiental-ecológicos; sobre propostas curriculares; e sobre a organização do trabalho educativo e práticas pedagógicas."
Formarmos o pedagogo para tal finalidade passa ser uma ação necessária. Destacamos neste estudo, a formação generalista deste profissional com ênfase em gestão da educação e da aprendizagem no seu objeto de estudo - o processo educativo voltado à educação formal e não formal, à educação profissional em sistemas educacionais escolares e não escolares. É preciso apresentar ampla variedade de situações circunstanciais para que a aprendizagem ocorra de fato. Ressaltamos aqui, a inovação como resultado do equilíbrio entre o saber acumulado coletivamente e o estudo da realidade concebida em seu conjunto, em sua diversidade e em sua multiplicidade (MONEZI, 2003, p. 60).
Evidenciamos que a universidade e o meio acadêmico não podem se furtar ao chamamento que se lhes é imposto, e as graves responsabilidades de que são depositários como fórum competente que se constituem para o debate, a reflexão, a exposição de idéias e a consolidação de ideais, com base em uma educação compreensiva significativa, apresentando-se para tal finalidade uma postura interdisciplinar para a construção coletiva de programas de atendimento solidário à comunidade. Este fórum permanente de debate confirma-se por meio de projetos interdisciplinares - apresentando nas atividades desenvolvidas eficiência, eficácia e efetividade na busca da qualidade nos relevantes serviços prestados à comunidade local.
Desta maneira, os educadores estarão envolvidos e comprometidos com o autodesenvolvimento e a qualidade social, principalmente, com o desenvolvimento da qualidade de vida da comunidade onde residem e prestam seus serviços. Mestres que, motivados em contribuir com suas visões e ações nos ambientes educacionais, demonstram vontade de aprender a aprender, aprender a ser, a fazer, a viver juntos (DELORS, 1998) e flexibilidade para mudar e fazer a diferença no mundo.
Assim, a otimização no processo de formação do educador, para o mundo globalizado, implica em conquista da autonomia para a construção do próprio caminho na nova trajetória transformacional, o que exige atitude resiliente, ou seja, posturas pró-ativas, organizadas, éticas, positivas, flexíveis, bem como iniciativas educacionais que valorizem a diversidade; e ainda, em participação efetiva nos relacionamentos interpessoais não só em espaços escolares, como também em espaços não escolares.

Metodologia da Pesquisa
A pesquisa "O Perfil do Pedagogo que Atua em Espaços Não Escolares", faz parte da linha de pesquisa: Gestão Educacional e Educação Profissional do Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas - UniFMU, e foi desenvolvida durante os anos de 2004 e 2005.
O questionamento e interesse que motivaram esta pesquisa foi primeiramente, investigar em empresas do setor privado e organizações não governamentais (ONGs), os pedagogos que estão atuando nestes segmentos, quais são as atividades exercidas por estes, para depois da identificação destes profissionais, fazer juntamente com os mesmos, um trabalho de definição do perfil do Pedagogo que atua em espaços não escolares.
Nosso critério de seleção se fez da seguinte forma: seleção de 50 empresas e 50 ONGs que possuem pedagogos atuando em seu quadro funcional, indicadas pelos professores envolvidos no projeto de pesquisa do UniFMU do curso de Pedagogia.
Este contato foi realizado através de um envio de um envelope selado por parte dos pesquisadores contendo: o objetivo da pesquisa, as instruções, o questionário, a carta e um envelope selado para a resposta. As repostas obtidas pressupõem que as pessoas concordaram em participar da pesquisa não se fazendo necessário uma carta de consentimento.
A metodologia envolveu a análise estatística neste momento da pesquisa para o levantamento numérico e análise descritiva para a definição do perfil. Assim pudemos identificar o pedagogo que atua nessas áreas, traçar seu perfil e comparar os resultados obtidos entre as empresas e ONGs pesquisadas. Esta pesquisa pode no futuro ser ampliada para uma análise qualitativa se houver interesse de ampliação do tema.

Resultados
Esta pesquisa teve sua origem, como mencionado no início desta estudo, nas diversas atividades e formações oferecidas pela UniFMU para a atuação do Pedagogo em espaços e atividades além das exercidas em unidades escolares.
Assim, este estudo teve a intenção de ser desenvolvido a partir das reflexões sobre as transformações do processo educacional, do mercado de trabalho, e do perfil profissional requerido nos dias de hoje. O que implica também pensar nas políticas educacionais no Brasil contemporâneo, na responsabilidade de um comprometimento com a qualidade social, voltado para a cidadania e para a inclusão.
Nesta perspectiva, destacamos neste trabalho a necessidade de pensar a educação, a atuação de profissionais nas organizações não escolares, em concordância com os outros componentes da prática educativa, destacando a figura do pedagogo. Evidenciamos a exigência de um novo perfil de trabalhador, com um nível de qualificação cada vez maior. Esses atributos parecem enfatizar aptidões cognitivas e conhecimentos teóricos. A valorização recai sobre o raciocínio, capacidade de aprender, capacidade de resolução de problemas e capacidade de tomada de decisão, entre outras, desconsiderando tudo o que leve a tarefas fragmentadas e repetitivas.
Da Coleta dos Dados
Conforme previsto no projeto, enviamos pelo correio cinqüenta questionários direcionados para (50) ONGs e (50) Empresas da grande São Paulo e recebemos em torno de 12% de respostas válidas para registro e análise: seis (06) de profissionais que atuam em ONGs, e de seis (06) que atuam em Empresas.
Dados Pessoais
Os questionários foram respondidos por 100% de indivíduos do sexo feminino nas ONGs e por 83,33,66% nas empresas. Com relação ao sexo masculino apenas 16,66 % responderam ao questionário. Há uma clara predominância feminina na formação de pedagogos e conseqüentemente,este aspecto se estabelece neste público pesquisado.
De modo geral esses profissionais possuem faixa etária que gira em torno de 31 a 40 anos (41,67%), conforme demonstração na tabela a seguir:



Quanto às funções e departamentos ocupados pelos profissionais que atuam em empresas, verificamos que são, em sua maioria da área de Recursos Humanos:



Já nas ONGs, percebemos que as funções são mais diversificadas, com predominância na área de projetos, seja na coordenação ou execução, conforme quadro a seguir:



Salários
Pudemos observar que os indivíduos que atuam em empresas possuem um nível salarial mais elevado, 33% possuem médias salariais entre mil e dois mil reais e 33% acima de quatro mil reais. Já nas ONGs os salários estão mais distribuídos em todas as categorias.
Outras Atividades Profissionais Exercidas
Os resultados também revelam que um número significativo dos entrevistados (75%) já atuou como professor em algum momento de sua carreira e em sua grande maioria são os que atuam em ONG´s.
Quando perguntamos para estes profissionais das empresas se já haviam atuado como docentes, responderam que o fizeram entre períodos que variavam de um (1) ano a trinta (30) anos.
Já os profissionais das ONG´s que atuaram como docentes o fizeram por no mínimo 2 anos e máximo 13 anos.
Ao questionarmos sobre sua formação acadêmica e se esta corresponde às exigências do mercado de trabalho, notamos que os que trabalham em empresas se sentem insatisfeitos, pois 66% aproximadamente não acreditem que tiveram uma formação adequada. Já os que trabalham em ONGs estão totalmente satisfeitos.
Os respondentes sentem necessidade de atualização profissional e as áreas mais citadas foram:
ONGs: Gestão de Negócios, formação de educadores, educação complementar desenvolvida no terceiro setor, educação Continuada, na área de neurologia, planejamento estratégico e metodologias para o desenvolvimento comunitário, gestão e empreendimento, gestão de projetos.
Empresas: Educação à distância, fundamentos para educação de adultos, recursos humanos, psicologia, dinâmica social e novas tecnologias, área ligada ao mundo empresarial, curso direcionado para área de educação.
Percebemos que existem pontos em comum no que se refere ao perfil exigido para atuação desse pedagogo em espaços não escolares como descrevem os participantes em suas respostas:



A modalidade de curso que despertou maior interesse dos participantes de ONGs quanto das empresas foi o curso de pós graduação: mestrado seguido de cursos de extensão, caso tivessem que fazê-lo atualmente, como pudemos observar na tabulação dos dados:
Muitos profissionais atuam fora da instituição escolar e em alguns casos há mais de 20 anos;
Foi interessante notar que respondentes relataram que o curso de Pedagogia auxiliou os profissionais da ONGs no planejamento e organização dos conteúdos, na prática docente, e ainda o curso de Pedagogia foi pré-requisito para a ocupação do cargo de Orientador Pedagógico;
Foi manifestado que o conhecimento de teóricos estudados no curso, ofereceu subsídio para a compreensão de toda a dinâmica social. Os conteúdos e as pesquisas que tiveram e fizeram sobre o terceiro setor foram de grande valia para o cargo que ocupam atualmente. O curso de Pedagogia "Auxilia em todas as ações" como afirmou um dos respondentes;
Os de projetos, na capacidade pessoal de comunicação e ainda em sua organização e relatos dos que trabalham em empresa demonstram que o curso os auxiliou na organização e revisão de material didático, no desenvolvimento de treinamentos, no acompanhamento de instrutores, na elaboração de atividades para o desenvolvimento dos multiplicadores de treinamento da empresa, no desenvolvimento flexibilidade.
Este estudo sinaliza que compromissos devem ser assumidos para a formação do Profissional da Educação: oferecer oportunidades para que a formação do ser humano em sua integralidade, seja consolidada, possibilitando uma visão sistêmica voltada à gestão educacional, permitindo aos envolvidos na pesquisa e na formação dos pedagogos estarem atentos aos diversos aspectos do perfil profissional como: atuação ético-profissional relativa à responsabilidade social para a construção de uma sociedade solidária, justa e inclusiva; investigação de situações educativas que ocorrem em ambientes não escolares; conhecimento e entendimento de projetos educativos que considerem a diversidade e as inter-relações da sociedade na esfera: cultural, científica, tecnológica, estética e ética que ocorrem nas diferentes instituições não escolares.
Do estudo desenvolvido, identificamos indicadores para o perfil do pedagogo para atuação em espaços não escolares. Indicadores estes, sinalizados tanto nas Diretrizes Curriculares de dezembro de 2005 quanto pelos que atuam em empresas e ONGs, que apresentamos a seguir: flexibilidade em suas ações; conhecimento e experiências relativos à gestão participativa; competência e habilidade na busca de soluções para os impasses enfrentados, com compreensão do processo histórico, social, administrativo e operacional em que está inserido; comprometimento e envolvimento com o trabalho; ter preparo para administrar conflitos; zelar pelo bom relacionamento interpessoal; gostar de trabalhar com pessoas; comunicação eficaz; conhecimento de princípios de educação popular; ter competência e habilidade para planejar, organizar, liderar, monitorar, empreender.
É da Universidade que esperamos frutifique o know-how, científico, tecnológico e humanístico rumo à superação dos obstáculos e desajustes que ainda assolam esta sociedade já globalizada. O momento em que se vive faz com que busquemos um sentido para a própria existência, produzindo nas pessoas, em particular, nos profissionais da educação, objeto deste estudo, a necessidade de crer em algo tão forte, tão especial que, sua capacidade de agir transcenda ao do ser humano comum.
Acreditamos ser fundamental manter a formação do educador voltada para a atuação em diferentes contextos culturais e sociais - principalmente neste momento em que a educação inclusiva tem sido a tônica dos documentos oficiais, com o reconhecimento da inclusão, por meio de projetos que visam adequação relacional entre os diferentes segmentos da sociedade. Portanto capacitar o profissional da educação para tal finalidade passa ser uma ação necessária. Destacamos aqui, a formação generalista deste profissional, com ênfase em gestão da educação no seu objeto de estudo - o processo educativo voltado à educação inclusiva em diferentes instituições educacionais e diferentes contextos socioculturais e econômicos.

Referências Bibliográficas
CEEP - Comissão de Especialistas de Ensino de Pedagogia. Documento Norteador para Comissões de Autorização e Reconhecimento de Curso de Pedagogia.Portaria SESu/MEC nº. 1.518. Brasília: A Secretaria, fevereiro de 2001.
CONFERÊNCIA MUNDIAL PARA O ENSINO SUPERIOR. Tendências de Educação Superior para o Século XXI / UNESCO/Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras: tradução Maria Beatriz Ribeiro de Oliveira Gonçalves. Brasília: UNESCO / CRUB,1999.
DELORS, J. Educação : um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: MEC: UNESCO, 1998.
DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA O CURSO DE PEDAGOGIA. Parecer 5/2005. Projeto de Resolução. Ministério de Educação; Conselho Nacional da Educação. Aprovada em 13 de dezembro de 2005.
GALLEGO, N. M. Pedagogia, treinamento e desenvolvimento. RH.COM.BR. Comunidade Virtual de profissionais de Recursos Humanos. São Paulo: 2001 ‹http:/rh.com.br›
LIBÂNEO, J.C. Pedagogia e pedagogos, para quê?.-2.ed. - São Paulo: Cortez, 1999.
MASETTO, M.T. Competência pedagógica do professor universitário. São Paulo: Summus, 2003.
MINARELLI, J. A. Empregabilidade: o caminho das pedras. São Paulo: Editora Gente, 1995
MONEZI, Mary R.Ceroni. Atitude Interdisciplinar na Docência. In: Revista de Cultura: Revista do IMAE - Instituto Metropolitano de Altos Estudos para o Desenvolvimento das Pesquisas do UniFMU. Periódicos Interdisciplinares.São Paulo: ano 4, n. 9, p. 56-60, jan./jun.2003.
___________.Desafios Contemporâneos para a Formação do Educador. In: EDUCARE UniFMU-Revista de Educação. São Paulo: Instituto Metropolitano para o Desenvolvimento das Pesquisas do UniFMU, 2004.
MORIN, Edgar. A cabeça bem feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Tradução Eloá Jacobina. 5ª ed.. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.


1 Título do Projeto apresentado na Linha de Pesquisa Gestão Educacional e Educação Profissional do Grupo Educação e Inclusão Social do UniFMU. Integrantes desta Pesquisa: Drª. Mary Rosane Ceroni, Ms.Claudia Morais Lietti; Maria Bernadete G. Carbonari; Ms. Maria Evani Machado; Ms.Nêusa Maria Gomes Gallego.
2 É docente e pesquisadora da UniFMU e Universidade Presbiteriana Mackenzie. Site: www.maryrosaneceroni.kit.net; e-mail: maryrosane@mackenzie.com.br; mary.rosane@fmu.br

Dica de leitura

Pistrak, M. M.. Fundamentos da escola do trabalho. São Paulo: Expressão Popular, 2000. 224 p. ISBN 85-87394-10-X.

Resumo:
Pistrak defende o trabalho como categoria principal para a reflexão teórico-pedagógica e para a expressão prática da escola, vinculada à vida da comunidade. Para ele, o projeto pedagógico socialista deve se basear na idéia do coletivo e ser parte do movimento mais amplo de transformação social. Como vincular o plano de vida de cada estudante ao processo de transformação social, no qual o estudo, o trabalho, as atividades culturais e políticas façam parte de um programa de educação para que este se assuma como sujeito da construção de uma nova sociedade? A contribuição de Pistrak, que é um processo de construção de uma pedagogia social, possibilita ao leitor assimilar novos elementos para sua formação e prática social.(Ed.).

Palavras-chave:
TRABALHO E EDUCACAO; ENSINO TECNICO; FORMACAO TECNICA; FORMACAO PROFISSIONAL TECNICA; QUALIFICACAO TECNICA.

ESCOLA DO TRABALHO UMA PEDAGOGIA SOCIAL: UMA LEITURA DE M. M. PISTRAK

ESCOLA DO TRABALHO UMA PEDAGOGIA SOCIAL: UMA
LEITURA DE M. M. PISTRAK

Eliseu Santana1
Orientador: André Paulo Castanha2




Pistrak foi um grande educador do povo Russo, e suas obras foram escritas
a partir de sua prática docente e da Militância Socialista. Pouca coisa se sabe
sobre sua biografia, pois suas obras tiveram pouca divulgação no período Stalinista.
O que se sabe é que ele foi militante ao lado de Makarenko e Nadezhda Krupskaya,
a companheira de Lênin, e que juntos participaram da revolução de outubro 1917,
atuando ativamente na implantação da pedagogia Marxista e na construção de uma
educação socialista na Rússia pós-revolução.
O presente trabalho tem por objetivo refletir sobre a sua obra: Fundamentos
da escola do Trabalho: uma pedagogia social, procurando apontar algumas
das idéias centrais desse educador russo, que subsidiaram o projeto socialista
de educação e que por sua vez ainda podem contribuir com o debate sobre o papel
da escola na atualidade.
AS REFLEXÕES SOBRE A RELAÇÃO ENTRE ESCOLA E TRABALHO
A história tem mostrado que escola sempre esteve a serviço de um regime
social determinado, de forma que ela sempre foi uma arma nas mãos da classe
dirigente, assim uma minoria subordina a maioria aos seus interesses. Para Pistrak, a
escola e a revolução devem caminhar juntas, como uma arma ideológica da revolução,
de modo que haja clareza entre os trabalhadores sobre os interesses dos burgueses
e dos proletários.
Na sua proposta de escola as atividades devem ser realizadas nas oficinas
para desenvolver nos alunos hábitos de trabalho, sua necessidade, e principalmente o
conhecimento das técnicas modernas e da organização do trabalho. Para ele, a escola
de 2º grau deve concentrar na grande industria, pois a escola é quem prepara o
material humano para industria. Segundo Pistrak, “será indispensável o mais intimo
contato entre a escola e a economia, se quisermos ter homens que compreendam
claramente os princípios de nossa obra construtiva, participando ativamente em sua
elaboração e assumindo-a como coisa sua” (2000, p, 83). Para que a educação social
possa atingir seu objetivo é preciso que o administrador, o engenheiro, o contramestre,
o operário, etc, compreendam a importância do trabalho e da escola do trabalho.
Para que possamos fazer uma leitura de sua obra, temos que procurar
entender seu pensamento sua linguagem, no contexto em que foi elaborado. É
preciso compreender o que significaria para ele, e para os demais pedagogos daquele
movimento político-pedagógico, o fato de estar discutindo sobre pedagogia
escolar, em um momento pós-revolucionário, no qual era preciso concentrar todas
as forças para consolidação da revolução. Daí a necessidade da reconstrução das
organizações sociais e do Estado e da luta permanente contra a reação capitalista
mundial e as forças reacionárias internas ao próprio regime.
É neste contexto que podemos entender quando Pistrak define como sendo
os dois aprendizados principais que se deve esperar dos educandos que são: saber
lutar e saber construir, de modo que, a escola do trabalho tem importância fundamental
na relação da escola com a realidade atual, e a auto-organização dos estudantes.
A grande preocupação dele era saber como a escola poderia ajudar a consolidar a
revolução socialista. Para alcançar os objetivos era preciso formar os sujeitos daquele
processo, não no futuro más já no presente. Assim estaria mostrando que as crianças
e jovens tinham um papel de destaque na construção da nova sociedade socialista.
Apresento a seguir algumas questões apontadas por ele, e que servem
com interlocução para nossa prática docente.
PENSAR E FAZER UMA ESCOLA QUE SEJA EDUCADORA DO POVO.
No Processo de transição ocasionado pela revolução de 1917 a
escolarização do povo tornou-se à base das transformações culturais necessárias
para o processo de construção coletiva da nova sociedade. Para ele era um desafio
reconstruir também a escola de modo que ela deixasse de ser um espaço das elites
e passasse a ser um lugar de formação do povo, todo o povo, preparando-o para
uma atuação social mais ativa e crítica.
EDUCAÇÃO É MAIS DO QUE ENSINO.
Para Pistrak era preciso superar a visão de que escola é lugar apenas de
ensino, ou de estudo de conteúdos, por mais revolucionários que eles sejam. É
preciso passar do ensino à educação, dos programas aos planos de vida. De modo
que, trabalho, estudo, atividades culturais e políticas fizessem parte de um mesmo
programa de formação, de forma dinâmica onde a escola se ajustasse conforme as
necessidades dos educandos e dos processos sociais em cada momento.
A VIDA ESCOLAR DEVE ESTAR CENTRADA NA ATIVIDADE PRODUTIVA.
Na medida em que a escola passa a assumir a lógica da vida, e não
apenas uma preparação teórica, era preciso romper com a pedagogia da palavra
centrada no discurso e no repasse de conteúdos (saliva e giz) e passar a uma pedagogia
da ação. Na escola do trabalho as crianças e os jovens se educam produzindo
objetos materiais úteis, e prestando serviços necessários à coletividade.
A ESCOLA PRECISA VINCULAR-SE AO MOVIMENTO SOCIAL E AO MUNDO DE TRABALHO.
Nenhuma escola-laboratório poderá substituir a realidade do dia-a-dia,
por isso, ele destaca o trabalho social da escola e o envolvimento dos estudantes de
mais idade em atividade produtivas da sociedade em geral. A preocupação com a
apropriação da ciência do trabalho e de sua organização, o vinculo da auto-organização
dos educadores na escola com o chamado movimento dos pioneiros, ou com o
movimento da juventude comunista.
A AUTO-ORGANIZAÇÃO DOS EDUCANDOS COMO BASE DO PROCESSO PEDAGÓGICO DA ESCOLA.
Esta era a grande transformação histórica a ser feita na escola: a participação
autônoma, coletiva, ativa e criativa das crianças e dos jovens, de acordo com as
condições de desenvolvimento de cada idade nos processos de estudo, de trabalho
e de gestão da escola. Por auto-organização entende-se a constituição de coletivos
infantis ou juvenis conforme a necessidade de realizar determinadas ações práticas,
que pode começar com a preocupação de garantir a higiene da escola, até a participação
efetiva do Conselho Escolar, ajudando na elaboração do plano de vida da
escola. O grande objetivo pedagógico desta cooperação infantil consciente é efetivamente,
educar para a participação social igualmente ativa. Na organização o educador
tem como função só à de acompanhar, as crianças para que elas possam
assumir-se efetivamente como sujeitos do processo educativo. Assim sendo, o coletivo
infantil não poderia ser algo imposto, mas sim uma construção de baixo para
cima, para que possa produzir o envolvimento real das crianças.
PENSAR UMA MANEIRA DE DESENVOLVER O ENSINO, QUE SEJA COERENTE COM O MÉTODO
DIDÁTICO DE INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE.
Esse método foi chamado por Pistrak de Sistema dos Complexos, na
realidade era mais do que um método de ensino, que compreendia a dimensão de
estudo intimamente ligada ao trabalho técnico, à auto-organização dos educandos,
e ao trabalho social da escola. De modo que, devem organizar o ensino através de
temas socialmente significativos, educando assim os estudantes para uma interpretação
dialética da realidade atual. Para Pistrak, isto não só é possível como também
é necessário encontrar formas de substituir o ensino livre e conteudista, por um
ensino voltado e preocupado com o estudo da realidade e com sua transformação.
SEM TEORIA PEDAGÓGICA REVOLUCIONÁRIA NÃO HÁ PRÁTICA PEDAGÓGICA REVOLUCIONÁRIA.
Segundo Pistrak quem deve construir a nova escola são os educadores,
junto com os educandos e suas comunidades. Por isso, os educadores não podem
ser tratados como meros executores ou seguidores de manuais simplificados. Devem
ser estimulados e preparados para dominar as teorias pedagógicas, que permite
refletir sobre a prática e tomar decisões próprias, construindo e reconstruindo
práticas e métodos de educação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho tem por objetivo refletir sobre nossa prática de educadores.
Pistrak deixa claro que temos responsabilidades humanas e sociais e por isso, também
somos responsáveis com a qualidade efetiva da educação do povo.
A educação é para ele um conjunto de medidas que devem estar relacionadas
com a prática social, não só de conteúdos, mas sim que todo o conteúdo
deve ser elaborado em conjunto com a comunidade e os estudantes. E que os
estudantes possam aprender na prática os conteúdos repassados em salas de aulas.
A escola é a responsável pela formação do cidadão para o trabalho, por
isso, Pistrak critica o sistema de educação burguesa uma vez que não preparava os
jovens para o trabalho e que os conteúdos tinham pouca valia para o dia a dia dos
jovens. Segundo ele, a educação deve ser voltada para o aproveitamento do que de
melhor cada aluno tem e assim aproveitar suas habilidade para determinado conhecimento,
como por exemplo: química, física, biologia, matemática, etc., uma vez
que o sistema de educação antigo só preparava os alunos para ingressar na faculdade.
Logo, aproximadamente 90% dos que concluíam o 2º grau não teriam nenhuma
utilidade prática para seus conhecimentos, já que as universidades não tinham capacidade
de absorver mais que 10% dos que concluíam o 3º ciclo.
A leitura de livros como este nos ajuda repensar o nosso processo educativo,
e dessa forma, lutar pela sua adequação das políticas educacionais a nossa realidade.
REFERÊNCIAS
PISTRAK, M.M. Fundamentos da escola do Trabalho: uma pedagogia social.
São Paulo: Expressão Popular, 2000. (Tradução de Daniel Aarão Filho).
NOTAS
1 Licenciado em Filosofia pela Unioeste e Pós-Graduando em História da Educação
Brasileira, Unioeste – Campus de Cascavel PR.
2 Professor do Colegiado de Pedagogia, membro do HISTEDOPR.